Artigo de Opinião escrito pelo diretor geral de Campus – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Davi F. Schreiner

As vivências e as condições nas quais se tecem em filigranas a geração e a formação da vida, sobretudo nos primeiros anos da infância, são decisivas para a formação de mulheres e de homens para uma sociedade mais inclusiva, solidária, plural, de igualdade que se produz na redução da exclusão socioeconômica, de respeito e de diálogo das diversidades e, assim, para a afirmação prospectiva das humanidades.

Tal ambiência social, que têm centralidade na promoção da infância, traduz-se de maneira primorosa no projeto da Universidade da Criança, uma iniciativa da Deputada Federal Leandre Dal Ponte. Este projeto tem como objetivo principal implementar nas cidades ações que permitam colocar em prática o previsto no Marco Legal da Primeira Infância. O marco está normatizado em uma lei, sancionada em 2016. A referida lei é considerada uma das mais avançadas e completas do mundo. Ela abre um amplo leque de oportunidades para investimentos na Primeira Infância.

Todavia, como sabemos, muitas leis nunca saem do papel e, por isso, o projeto Universidade da Criança objetiva, por meio da mobilização da sociedade, a percepção de todos da possibilidade concreta de mudarmos a realidade do nosso País, de combater a violência, a desigualdade e formar cidadãos bem sucedidos e felizes, a partir da primeira infância, base constitutiva do humano e de suas relações sociais.

Mas, como proteger e promover a infância saudável e feliz concebendo-a como humanidades? De que cada criança é una, única, especial, que é extraordinariamente rica ao nos surpreender, estimular, compreender, ensinar a todo instante e se constituir nas relações com as temporalidades de outras pessoas e a partir de suas vivências na ambiência na qual está inserida?

Para dar conta de tais questões, o projeto Universidade da Criança dimensiona-se pela afirmação de ações voltadas à infância em todas as suas dimensões (da aprendizagem, da educação, da saúde, da psicológica, do lazer, das condições materiais adequadas à vida, entre outras), a partir do envolvimento e do compromisso de entidades, empresas e instituições públicas e privadas. Mas, fundamentalmente a partir de pessoas, que se propõem e constituem redes de solidariedade dialógicas, de estudos, de partilhas e de ações, que se traduzem em expressões de e pelo Movimento do Social.

Em outros termos, se faz pelo envolvimento e compromisso dos adultos, o que pressupõe também cuidar deles, de lhes proporcionar aprendizados, trocas de experiências e redes de apoio constituídas por entidades públicas e da sociedade civil, para que possam se mover com maior segurança num contínuo refazer-se de suas vidas, em especial, nas suas vivencias com e para as infâncias/crianças.

Entidades são importantes como instrumentos de mobilização e de apoio, mas são as pessoas que constroem e transformam as relações e as práticas, o modo de se relacionar e cuidar dos outros, de conceber e compreender a vida, a infância. Portanto, o cuidar das crianças, expressão que, na forma como é utilizada aqui, sintetiza em essência a promoção das humanidades, começa pela mudança de atitude e compromisso dos adultos e se constitui permeada pela afirmação e pela garantia dos direitos fundamentais do ser humano.

Portanto, a Universidade da Criança é um marco fundamental para os direitos da infância e, na mesma medida, é essencial para a cidadania. Esta só é possível com a participação das pessoas e a atuação dos governos, por meio da transformação da lei em uma política de Estado, em todos os níveis da Federação.  Assim, o projeto Universidade da Criança, de sua concepção e proposta para a sociedade, de cuidar da infância, deve se tornar política pública perene, Política de Estado.
Fonte: Davi F. Schreiner
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