Nota da Bancada Federal do Partido Verde na Câmara dos Deputados

O rompimento da Barragem do Feijão da empresa VALE, em Brumadinho – MG, em 25 de janeiro de 2019, acaba de completar um ano, sem que as medidas de reparação, mitigação, compensação, recuperação ambiental, assistência social, atendimento a todas as vítimas, desativação de barragens à montante, dentre outras providências urgentes e necessárias, acontecessem em toda a sua plenitude.

Somente agora, em 21 de janeiro de 2020, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, e mais 15 pessoas pelo crime de homicídio doloso e por crime ambiental, assim como as empresas Vale e TÜV SÜD, responsável pelo monitoramento da Barragem do Feijão.

Trata-se do maior desastre socioambiental do mundo, que ceifou a vida de cerca de 270 pessoas, além de ocasionar danos ambientais irreparáveis. Foram treze milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério oriundos do rompimento da barragem atingindo a área administrativa da Vale, comunidades da região, e o Rio Paraopeba, na Bacia do Rio São Francisco, além de degradar mais de 100 hectares de Mata Atlântica. Tudo isto, apenas, 3 anos após o rompimento da barragem de Fundão da empresa Samarco, controlada pela mesma Vale e pela empresa australiana BHP Billiton, em Mariana - MG, em novembro de 2015, que foi considerado o maior crime ambiental do Brasil moderno.

No que tange ao rio Paraopeba, não se sabe, ainda, quanto tempo será necessário para recuperar a bacia, e mesmo se ela conseguirá voltar a ter, um dia, as condições econômicas, sociais e ambientais que existiam antes da tragédia.

Temos assistido, hodiernamente, uma gincana protelatória, por parte da Vale em assumir e iniciar, de uma vez por todas, o cumprimento dos compromissos que lhe são impostos, objetivando, além da recuperação do dano ambiental causado, restabelecer a mínima condição de vida aos desabrigados, desalojados, feridos e aqueles que foram privados de desenvolver as suas atividades econômicas, vitimados pelas consequências de sua total irresponsabilidade.

Ao contrário, agora temos assistido à veiculação de propaganda da Vale, em horário nobre, por exemplo, na Rede Globo de Televisão, a um milionário custo, cerca de 825 mil reais por apenas 30 segundos, caracterizando um verdadeiro deboche com todos os atingidos e com toda a nação brasileira. Este valor é maior do que a Vale propõe para indenizar cada família, cerca de 750 mil reais!!! Nesta perversa matemática, uma vida perdida em Brumadinho vale menos do que 30 segundos de comercial para a Vale.
As peças publicitárias retratam um verdadeiro descaso com um dos maiores crimes socioambientais ocorridos em nosso País, e um desrespeito a todos os atingidos. 

Assim, repudiamos, com toda a veemência, a postura antiética e desrespeitosa da empresa Vale, ao tempo em que, conclamamos as autoridades responsáveis para que as providências necessárias no sentido que fazer com que a empresa cumpra com suas obrigações, aconteçam, imediatamente, em respeito ao povo e ao Estado brasileiro, e principalmente a todos os atingidos direta e indiretamente pelo rompimento da Barragem do Feijão.

Brasília (DF), 28 de janeiro de 2020.
Bancada do Partido Verde na Câmara dos Deputados
 
 
Fonte: Partido Verde
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