A Frente Parlamentar da Primeira Infância promoveu debate sobre o tema na últlima quinta-feira (23)

Especialistas ouvidos pela Frente Parlamentar da Primeira Infância criticaram na quinta-feira (23) alguns excessos que têm ocorrido em relação à educação no ambiente familiar neste período de pandemia.

O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Garcia, lembrou que a entidade já divulgou nota defendendo que as atividades a distância como substitutas das aulas presenciais sejam restritas aos anos finais do ensino fundamental e até o limite de 25% dos 200 dias letivos.

Garcia acredita que a flexibilização do calendário escolar é a melhor saída. "É muito mais honesto falar neste momento do processo de flexibilização das 800 horas para a educação infantil do que fazermos de conta que vamos aproveitar outras formas de atividades e validá-las como atividades desenvolvidas", sugeriu.

O dirigente ressaltou ainda que a educação a distância não pode aumentar ainda mais a diferença entre estudantes ricos e pobres. "Nós temos uma questão muito importante que é a questão da equidade. Como nós vamos verificar a efetividade das atividades e sobretudo como vamos trabalhar com aqueles que não foram atingidos?", indagou.

Fardo

Já a psicóloga Cláudia Marcondes, do Instituto Viva Infância, destacou que as atividades escolares em casa não podem ser um fardo a mais. "As crianças estão exaustas com as exigências de a casa ser uma escola. Não só os pais estão cansados disso, mas as próprias crianças estão se queixando", afirmou.

Cláudia Marcondes indicou ainda possíveis consequências de longas horas de aulas on line, como baixa resistência e dificuldade de dormir. "A exigência que é para uma criança, mesmo uma maior, se concentrar em uma tarefa ou consignas televisivas ou via internet por muito tempo, leva a essas situações".

Espaços diferentes

Também o educador Vital Didonet afirmou que escola e casa têm funções diferentes. "Assim como cuidado de saúde em casa não substitui o serviço profissional de saúde em hospitais, os pais não são médicos e nem enfermeiros; também não são professores e nem substituem na escola. As linguagens são diferentes, os espaços são diferentes."

Para Cláudia Marcondes, é importante acolher as crianças com delicadeza porque, além de sofrer todas as mudanças provocadas pela mudança de hábitos, elas percebem a insegurança dos adultos. "São medos que aparecem de uma forma muito ampliada, são preocupações e pensamentos recorrentes sobre doenças, sobre morte. São dificuldades maiores em lidar com as frustrações neste momento onde há uma restrição muito grande da vidinha delas, do contexto que elas vivem".

Cláudia explicou que é importante responder às dúvidas das crianças, mas não oferecer o noticiário e sugeriu flexibilizar o espaço da casa para que elas possam brincar.

Vital Didonet disse que a experiência pode ser gratificante para alguns pais que antes terceirizavam o cuidado e a educação de seus filhos pequenos. "E agora estão tendo que assumir como sujeitos o seu processo de formação. E isso está abrindo mais os olhos dos pais. Uns com criatividade. Estão descobrindo com surpresa que as crianças são geniais, são criativas, são fontes de energia".

A deputada Tereza Nelma (PSDB-AL) lembrou dos pais de crianças autistas que têm mais dificuldades para substituir as atividades que estas crianças necessitam.

A coordenadora da Frente Parlamentar da Primeira Infância, deputada Leandre (PV-PR), disse que pretende continuar com as conversas com especialistas. "A gente precisa falar, desabafar, expor o que nos pesa. E o que toma conta do nosso sentimento e que ocupa os nossos pensamentos o dia inteiro. Precisamos ouvir porque os outros querem ser ouvidos".

Assistência social

A secretária nacional de Assistência Social, Mariana Neris, disse que já foram liberados recursos para que estados e municípios possam atender demandas emergenciais no âmbito do Sistema Único de Assistência Social. Os profissionais do setor também precisam de equipamentos de proteção individual para realizar o seu trabalho junto às famílias.

Somente o programa “Criança Feliz”, que consiste em visitas domiciliares a famílias com crianças de até seis anos em situação de vulnerabilidade, tem 25 mil visitadores e supervisores.
Fonte: Agência Câmara Notícias
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